26 março 2012

António Tabucchi

Este italiano que se fez português, na língua e na alma, enamorou-se da escrita de Fernando Pessoa. Depois da escrita veio a paixão pela pessoa em si. Pela cidade de Lisboa e pelo país. Dedicou grande parte da sua vida a ler Pessoa, a decifrar cada palavra, metáfora, pontos e virgulas, reticencias, o cheiro dos papeis velhos. Tentava encontrar as veias, quem sabe ainda com sangue, bombeado de um coração que já não era.
Por acaso, tenho um livro do Senhor Tabucchi, na minha pequeníssima colecção. "Os útimos três dias de Fernando Pessoa". Como o próprio o intitula, um delírio, uma possível realidade para a trindade última do poeta. Pelo hospital de São Luís dos Franceses, Pessoa e os seus heterónimos, dialogam, durante as visitas, que recebe.
Gostava de saber como terão sido os últimos três dias de António Tabucchi. E não posso deixar de pensar que o escritor apaixonado pela obra de Pessoa, se terá deixado levar pela imaginação. Deitado na cama do hospital, a espera de um dos seus amigos Pessoanos. Teve os dele de certeza e a família. Sei que pensou muito no Fernando. Até lá, Tabucchi!

2 comentários:

catarina ferreira disse...

Compartilho a curiosidade no que toca aos seus últimos 3 dias. Terá ele convivido com os seus EUs, memórias e histórias?
Não o saberei, por certo.
Um pequeno até já.

o guardador disse...

Este três últimos dias da vida do Pessoa, pela mão do David Lynch... devia ser melhor que chocolate! *